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O perigo do Bullying nas escolas

26 de agosto de 2026
Escrito por Daniel Manfrin, advogado especialista em compliance Antibullying, inscrito na OAB/SP 215.246
O perigo do Bullying nas escolas

Bullying nas escolas: como prevenir, identificar e enfrentar esse problema de forma responsável

O bullying nas escolas deixou de ser visto apenas como uma “brincadeira de criança” ou um conflito entre alunos. Hoje, trata-se de uma questão que envolve segurança, responsabilidade, gestão escolar, proteção de crianças e adolescentes e prevenção de riscos jurídicos.

Apelidos ofensivos, humilhações, exclusão intencional, ameaças, agressões físicas e psicológicas e ataques realizados por meio das redes sociais podem produzir consequências que ultrapassam os muros da escola.

Por isso, mais do que agir quando um caso grave acontece, a instituição de ensino precisa desenvolver uma cultura permanente de prevenção, identificação e enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying.

O que é bullying?

De forma geral, o bullying envolve comportamentos de violência física ou psicológica praticados de maneira intencional e repetitiva, normalmente em uma situação de desequilíbrio de poder entre os envolvidos.

Ele pode ocorrer de diferentes formas:

  • agressões físicas;
  • apelidos e comentários ofensivos;
  • humilhações;
  • ameaças;
  • isolamento ou exclusão deliberada;
  • divulgação de informações constrangedoras;
  • perseguição;
  • comentários discriminatórios;
  • exposição de imagens ou vídeos;
  • criação de grupos para ridicularizar determinado aluno.

Quando essas condutas acontecem no ambiente digital, temos o chamado cyberbullying, que pode ampliar significativamente o alcance e a permanência da violência.

Uma situação que começa dentro da escola pode continuar em grupos de WhatsApp, redes sociais, jogos on-line e outras plataformas digitais.

Por que o bullying é um problema também para a escola?

Um dos principais erros de gestão é imaginar que a escola só precisa agir quando ocorre uma agressão física grave.

Na realidade, situações de bullying podem se desenvolver durante meses sem que a instituição perceba a dimensão do problema.

Mudanças de comportamento, queda no rendimento escolar, isolamento, resistência em frequentar as aulas, conflitos recorrentes e reclamações de familiares podem ser sinais de que algo está acontecendo.

Quando a escola não possui procedimentos claros para identificar e tratar essas situações, aumenta o risco de respostas inadequadas, omissões e conflitos com as famílias.

Além disso, dependendo das circunstâncias do caso, podem surgir discussões relacionadas à responsabilidade civil da instituição de ensino.

Por isso, prevenção não significa apenas proteger os alunos. Significa também proporcionar à escola uma estrutura organizada para lidar com situações de risco.

A escola deve esperar o problema acontecer?

Não.

Uma gestão escolar responsável não deve trabalhar apenas de forma reativa.

Esperar que um caso grave aconteça para depois estabelecer procedimentos pode significar agir tarde demais.

A prevenção começa pela criação de uma política institucional clara, que estabeleça:

  • o que a escola considera bullying e cyberbullying;
  • como alunos, professores e familiares podem comunicar situações suspeitas;
  • quem será responsável por receber e analisar as ocorrências;
  • como os fatos serão registrados;
  • quais medidas poderão ser adotadas;
  • como os responsáveis serão comunicados;
  • como será realizado o acompanhamento posterior;
  • como a privacidade e os dados pessoais dos envolvidos serão protegidos.

Essa estrutura permite que a escola deixe de depender exclusivamente da percepção individual de cada professor ou gestor.

Prevenir bullying é diferente de simplesmente punir

A punição pode fazer parte da resposta institucional, mas ela não deve ser confundida com uma política de prevenção.

Uma escola preparada precisa atuar em diferentes frentes.

1. Educação e conscientização

Alunos, professores, funcionários e famílias precisam compreender o que caracteriza bullying e cyberbullying.

Muitas situações são tratadas como “brincadeira” justamente porque os envolvidos não reconhecem a gravidade da conduta.

2. Capacitação da equipe

Professores e colaboradores estão entre os principais agentes capazes de identificar sinais de violência.

Por isso, precisam saber reconhecer comportamentos de risco e conhecer o procedimento que deve ser seguido diante de uma suspeita.

3. Canais de comunicação

Alunos e famílias precisam saber a quem recorrer quando uma situação acontece.

Um canal de comunicação bem estruturado pode facilitar a identificação precoce dos problemas.

4. Registro das ocorrências

Documentar adequadamente as situações é fundamental.

A escola deve possuir um procedimento organizado para registrar fatos, comunicações, providências adotadas e acompanhamento do caso.

Isso contribui tanto para a gestão da situação quanto para demonstrar que a instituição possui uma atuação preventiva e responsável.

5. Acompanhamento

Resolver um episódio pontual não significa necessariamente resolver o problema.

É importante acompanhar os envolvidos posteriormente e verificar se a situação realmente foi interrompida.

E quando o bullying acontece fora da escola?

Essa é uma das questões mais delicadas atualmente.

Com a utilização constante de redes sociais e aplicativos de mensagens, a divisão entre “ambiente escolar” e “ambiente digital” tornou-se cada vez mais complexa.

Um conflito que começa em uma rede social pode chegar à sala de aula no dia seguinte.

Da mesma forma, uma situação ocorrida na escola pode continuar em grupos de mensagens depois do horário das aulas.

Por isso, a escola precisa estabelecer critérios claros para avaliar cada situação e definir quando e como deve atuar, evitando tanto a omissão quanto intervenções inadequadas.

Cyberbullying: quando a violência ultrapassa os muros da escola

O cyberbullying merece atenção especial porque o ambiente digital pode potencializar a violência.

Uma fotografia, vídeo, mensagem ou comentário ofensivo pode ser compartilhado rapidamente e permanecer disponível mesmo depois de apagado de determinado perfil.

Além disso, a vítima pode ter dificuldade para escapar da situação, já que o ambiente de violência pode acompanhá-la para dentro de sua própria casa.

Por isso, programas de prevenção ao bullying devem considerar também a realidade digital dos alunos.

A importância de uma política antibullying estruturada

Uma escola que pretende trabalhar seriamente com prevenção precisa ir além de campanhas pontuais.

O ideal é construir uma política institucional permanente de prevenção e enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying.

Essa política deve estar integrada à rotina da instituição e envolver direção, coordenação, professores, colaboradores, alunos e famílias.

Também é importante que os procedimentos sejam compatíveis com as demais obrigações legais da instituição, inclusive aquelas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes e à proteção de dados pessoais.

Prevenção também é gestão de risco

Do ponto de vista da administração escolar, prevenir bullying não deve ser encarado apenas como uma iniciativa pedagógica.

Também é uma medida de gestão de riscos.

Uma escola que possui políticas, procedimentos, treinamentos, registros e mecanismos de acompanhamento está mais preparada para identificar problemas e demonstrar que adotou medidas concretas para prevenir e enfrentar situações de violência.

Isso não significa que a existência de um programa elimine automaticamente qualquer possibilidade de responsabilidade da instituição.

Significa, porém, que a escola passa a trabalhar de maneira mais organizada, preventiva e profissional.

O papel dos pais e responsáveis

A prevenção também depende da participação das famílias.

Pais e responsáveis devem observar mudanças significativas no comportamento dos filhos e manter um canal de diálogo aberto com a escola.

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • resistência repentina em ir à escola;
  • isolamento;
  • alterações importantes de comportamento;
  • queda inesperada no desempenho escolar;
  • medo ou ansiedade relacionados ao ambiente escolar;
  • preocupação excessiva com celular ou redes sociais;
  • perda ou dano frequente de objetos;
  • mudanças no círculo de amizades.

Nenhum desses sinais, isoladamente, comprova a existência de bullying. Entretanto, eles podem indicar que é necessário conversar com a criança ou adolescente e investigar o que está acontecendo.

O que uma escola pode fazer para se prevenir?

Uma estratégia de prevenção pode envolver diversas medidas, como:

Diagnóstico: identificar os principais riscos e vulnerabilidades existentes na instituição.

Política interna: estabelecer regras e procedimentos claros para prevenção e enfrentamento ao bullying.

Treinamento: capacitar professores, coordenadores e colaboradores.

Canal de comunicação: criar mecanismos seguros para comunicação de ocorrências.

Protocolo de atendimento: definir como cada situação será recebida, analisada, registrada e acompanhada.

Proteção de dados: estabelecer cuidados específicos com informações envolvendo crianças e adolescentes.

Conscientização: desenvolver ações educativas com alunos e famílias.

Monitoramento: avaliar periodicamente a efetividade das medidas adotadas.

Conclusão

O bullying nas escolas não deve ser tratado como uma simples questão disciplinar.

É um problema que pode envolver proteção de crianças e adolescentes, responsabilidade institucional, gestão de riscos, segurança, educação e relacionamento com as famílias.

Por isso, a melhor estratégia é agir antes que o problema se transforme em uma crise.

Uma escola verdadeiramente preparada não é aquela que afirma que “aqui não existe bullying”.

É aquela que possui estrutura para prevenir, identificar, registrar, enfrentar e acompanhar situações de bullying e cyberbullying quando elas surgirem.

A prevenção é mais do que uma resposta a um problema. É uma demonstração de responsabilidade, cuidado e maturidade na gestão escolar.

Daniel Manfrin | Advocacia Especializada

Atuação na prevenção e enfrentamento ao bullying e cyberbullying nas instituições de ensino, com estruturação de políticas, procedimentos e estratégias jurídicas voltadas à proteção da escola, dos alunos e de toda a comunidade escolar.

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Daniel Manfrin Advogados

Especialista em Compliance Antibullying, Direito Imobiliário e da Saúde. Soluções jurídicas e institucionais de excelência com atuação nacional.

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